O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em março de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias com dívidas subiu de 80,2% em fevereiro para 80,4% em março. Em março de 2025, o índice estava em 77,1%.
Os dados mostram que o aumento foi puxado especialmente pelas famílias de renda mais alta, enquanto as classes de menor poder aquisitivo mantiveram ou até reduziram ligeiramente o nível de endividamento. A CNC atribui o movimento à combinação de juros futuros ainda elevados e à pressão dos combustíveis sobre o custo de vida, que força muitas famílias a recorrer ao crédito para despesas básicas.
Detalhes do endividamento por faixa de renda
- Até 3 salários mínimos: endividamento estável em 82,9%
- De 3 a 5 salários mínimos: leve queda de 82,9% para 82,6%
- De 5 a 10 salários mínimos: alta de 78,7% para 79,2%
- Acima de 10 salários mínimos: alta de 69,3% para 69,9%
A inadimplência geral ficou estável em 29,6%, mas também apresentou variações por renda. No grupo de menor renda, a inadimplência caiu de 38,9% para 38,2%. Já na faixa de 5 a 10 salários mínimos, subiu de 21,7% para 22,1%.
A fatia de famílias que se consideram “muito endividadas” teve uma leve melhora, passando de 16,1% para 16,0%. A parcela média da renda comprometida com dívidas caiu marginalmente de 29,7% para 29,6%.
Por que o endividamento subiu mesmo com corte na Selic?

A CNC explica que, embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da Selic, os efeitos dessa queda ainda não chegaram de forma significativa ao crédito ao consumidor final. Os juros futuros continuam altos, e a alta dos preços dos combustíveis (diesel e gasolina) gera um efeito cascata sobre fretes, alimentos e transporte, reduzindo o poder de compra das famílias e aumentando a necessidade de crédito.
“Somado aos juros altos, a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária. Esse aumento logístico repercute nos preços das mercadorias, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas”, destaca o relatório da CNC.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, reforçou: “A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome. A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito”.
O que as famílias mais devem?
A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas seguintes modalidades:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Carnê de loja
- Crédito consignado
- Empréstimo pessoal
- Cheque pré-datado
- Prestações de carro e casa
O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, seguido pelo consignado (especialmente entre aposentados e pensionistas).
Perspectivas para os próximos meses
A CNC projeta que o endividamento deve continuar em alta até que os cortes da Selic se reflitam de forma mais clara nas taxas de juros praticadas pelos bancos para pessoas físicas. Enquanto isso, a inflação pressionada pelos combustíveis e a incerteza econômica mantêm as famílias recorrendo ao crédito para cobrir despesas básicas.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alerta: “Vemos uma nova rodada de reajuste das expectativas de inflação para os próximos meses, fenômeno que, se confirmado, pressionará desproporcionalmente o orçamento das famílias de renda mais baixa”.
Conclusão: Endividamento recorde mostra pressão sobre o bolso das famílias
O recorde de 80,4% de famílias endividadas em março de 2026 reflete um cenário ainda desafiador para o consumidor brasileiro. Embora a Selic esteja em trajetória de queda, os efeitos demoram a chegar ao crédito pessoal, enquanto a alta dos combustíveis encarece o custo de vida e força o uso de empréstimos e cartões.
Para as famílias, o momento pede cautela: controlar gastos, priorizar dívidas com juros mais altos (como cartão de crédito) e evitar novos endividamentos desnecessários. Para o governo e o Banco Central, o desafio é fazer com que a redução da Selic chegue mais rapidamente ao bolso do consumidor final.
E você, sentiu o endividamento aumentar na sua casa em 2026? Qual tem sido a principal dívida que mais pesa no orçamento? Deixe sua opinião nos comentários.
Fonte: InfoMoney (07/04/2026) – Pesquisa Peic da CNC
