A Geração Z (jovens de 16 a 29 anos) está mudando o perfil do investidor brasileiro. Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro 2025, pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha, esses jovens fogem da poupança tradicional, diversificam mais a carteira e buscam informações quase exclusivamente por canais digitais. No entanto, carregam uma vulnerabilidade importante: para 57% deles que possuem reserva financeira, o dinheiro guardado não duraria mais de seis meses em caso de emergência.
O estudo, divulgado na última quinta-feira (23 de abril de 2026), revela um comportamento financeiro mais sofisticado, mas ainda frágil em termos de planejamento de longo prazo e proteção contra imprevistos.
Como a Geração Z investe
Diferente das gerações anteriores, a poupança tem pouca atratividade para os jovens:
- Apenas 13% da Geração Z investem na caderneta de poupança, contra 22% da média geral da população e 27% entre Geração X e Boomers.
- O espaço deixado pela poupança é ocupado por produtos mais diversificados: títulos privados (10%), fundos de investimento (8%), criptomoedas (8%) e ações (4%). Todos esses percentuais estão acima da média nacional.
Essa diversificação mostra que os jovens estão mais dispostos a assumir risco em busca de rentabilidade, especialmente em ativos digitais como criptomoedas.
Como buscam informação e investem
A Geração Z também se diferencia na forma de buscar conhecimento:
- Apenas 15% consultam gerentes ou assessores de investimento (contra 38% dos Boomers).
- Preferem amigos e parentes (23%) e influenciadores financeiros (11%).
- YouTube (49%) e Instagram (45%) são os principais canais de informação.
- 84% realizam aplicações diretamente pelo aplicativo ou site do banco ou corretora, percentual muito superior ao de gerações mais velhas.
Reserva de emergência ainda é insuficiente
Apesar de investirem mais, a capacidade de proteção contra imprevistos ainda é baixa:
- 17% dos jovens não possuem nenhuma reserva de emergência.
- 57% afirmam que, se precisassem usar o dinheiro guardado, ele duraria menos de 6 meses.
Esses números são preocupantes, pois indicam que, mesmo com maior diversificação, muitos jovens ainda não conseguem construir uma reserva robusta para enfrentar períodos de desemprego, problemas de saúde ou outras emergências.
Outros destaques do comportamento da Geração Z
- Fraudes digitais: 38% dos jovens investidores relataram ter sido vítimas de ao menos uma fraude ou golpe em 2025, percentual próximo ao dos Millennials (40%). A maior exposição a canais digitais explica parte desse risco.
- Apostas online: 27% apostaram em sites de bets em 2025, a maior proporção entre todas as faixas etárias.
- Aposentadoria: 66% dos jovens que ainda não estão aposentados dizem que pretendem começar a poupar para a velhice, o índice mais alto entre as gerações. Já entre os Boomers, 56% não começaram e nem pretendem começar.
Comparação entre gerações
| Indicador | Geração Z (16-29) | Millennials (30-44) | Geração X (45-64) | Boomers (65+) |
|---|---|---|---|---|
| Usa poupança | 13% | – | 27% | 27% |
| Reserva dura menos de 6 meses | 57% | – | 37% | 27% |
| Passou por fraude/golpe | 38% | 40% | – | 24% |
| Apostou online em 2025 | 27% | 22% | 10% | 4% |
| Usa YouTube para investimentos | 49% | 40% | – | – |
| Investe pelo app/site | 84% | 75% | 49% | 27% |
Fonte: Raio X do Investidor 2025 (Anbima/Datafolha)
Conclusão
A Geração Z mostra-se mais aberta a investimentos modernos, como criptomoedas, ações e fundos, e menos dependente da poupança. Buscam informação de forma digital e investem com maior autonomia. No entanto, a baixa reserva de emergência revela que ainda há um longo caminho a percorrer em termos de planejamento financeiro e construção de segurança patrimonial.
Especialistas recomendam que esses jovens equilibrem a busca por rentabilidade com a criação de uma reserva de emergência mais sólida (idealmente de 6 a 12 meses de despesas) e invistam em educação financeira contínua para evitar fraudes e tomar decisões mais conscientes.
E você, que faz parte da Geração Z ou convive com jovens dessa faixa etária? Acha que eles estão investindo de forma inteligente ou ainda faltam bases sólidas? Deixe sua opinião nos comentários!
Fonte: InfoMoney (26/04/2026) – Reportagem de Paulo Barros.
