O avanço rápido dos modelos de inteligência artificial, especialmente os agentes autônomos da Anthropic e da OpenAI, está gerando forte preocupação no setor de software como serviço (SaaS) e serviços de TI. Analistas do UBS e da Kotak Institutional Equities alertam que esses modelos representam risco real de disrupção para empresas que dependem de mão de obra intensiva em programação, desenvolvimento de aplicações e suporte técnico.
O principal gatilho para o alerta foi o lançamento do Claude Mythos Preview, da Anthropic, considerado o modelo mais avançado já lançado pela empresa. O novo agente de IA apresentou saltos expressivos em benchmarks de engenharia de software, o que pode reduzir significativamente a demanda por serviços tradicionais de TI.
Desempenho impressionante do Claude Mythos
De acordo com o relatório da Kotak, o Mythos alcançou:
- 82,0% no Terminal-Bench 2.0 (contra 65,4% do antecessor Claude Opus 4.6) — ganho de quase 17 pontos percentuais;
- 93,9% no SWE-bench Verified (contra 80,8%) — melhora de 13 pontos.
Esses resultados indicam que o modelo não apenas entende código, mas também é capaz de identificar problemas, propor soluções e executar tarefas complexas de forma mais autônoma. Para o setor de serviços de TI, especialmente na Índia (com gigantes como Infosys, TCS e Persistent Systems), isso representa uma ameaça direta ao modelo de negócios baseado em “horas-homem” e precificação por esforço.
A Kotak mantém sua previsão de impacto negativo de 3% a 3,5% ao ano no crescimento do setor de serviços de TI nos próximos três anos. Se o modelo se mostrar igualmente eficiente em cenários reais, o impacto pode ser ainda maior, pressionando margens e múltiplos de valuation das empresas do setor.
UBS vê risco maior para o SaaS
Durante a conferência HumanX, realizada em São Francisco entre 6 e 9 de abril de 2026, analistas do UBS reforçaram que os agentes de IA da Anthropic e da OpenAI representam uma ameaça crescente ao crescimento do SaaS. O banco rebaixou a recomendação de ações da ServiceNow e destacou que empresas de software empresarial intensivas em mão de obra estão mais vulneráveis.
O UBS apontou Palantir e Snowflake como opções relativamente mais seguras dentro do setor, por terem maior foco em dados e plataformas de orquestração de IA, em vez de serviços puramente baseados em desenvolvimento de código.
Mercado reage com queda nas ações de software
O temor de disrupção já se reflete no mercado. O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector caiu mais de 30% desde o pico de setembro de 2025. Papéis como Workday e Intuit registraram quedas acentuadas após anúncios recentes da Anthropic. O volume de vendas a descoberto (short selling) em ações de software atingiu o nível mais alto desde 2016, segundo o Goldman Sachs.
Apesar do pessimismo, o Goldman Sachs defende uma análise mais criteriosa. O banco argumenta que a narrativa de disrupção está sendo aplicada de forma “ampla demais” e que empresas com forte presença regulatória ou necessidade de execução física (como implementação em ambientes complexos) devem sofrer menos impacto.
Oportunidades em meio à disrupção
Nem todos os analistas veem apenas riscos. A Kotak destaca que a modernização de sistemas legados, migração de bancos de dados e integração de IA podem gerar novas oportunidades que compensem parte da perda de receita em serviços tradicionais de desenvolvimento.
A Motilal Oswal Financial Services observa que o lançamento controlado do Mythos por meio do consórcio Project Glasswing (que inclui Amazon, Apple, Microsoft e Nvidia) pode amenizar o impacto imediato sobre as ações de TI.
Um setor em ponto de inflexão
O debate vai além das cotações em bolsa. Analistas do The Hindu Business Line apontam que a capacidade do Mythos de identificar e explorar vulnerabilidades de software de forma autônoma pode reduzir drasticamente a demanda por serviços de testes e suporte a aplicações.
Jeremy Kahn, da newsletter Eye on AI (Fortune), pondera que “a narrativa de que a IA está consumindo todo o SaaS não está correta”. Segundo ele, a disputa para se tornar a principal camada de orquestração de agentes de IA nas empresas ainda está totalmente aberta.
Conclusão
O Claude Mythos Preview da Anthropic acelerou o debate sobre o futuro do setor de software e serviços de TI. Enquanto alguns analistas veem risco real de desaceleração no crescimento e pressão sobre margens, outros identificam oportunidades em modernização e integração de IA.
Para investidores, o momento exige cuidado: empresas com modelos de negócio baseados em grande volume de horas de programação estão mais expostas, enquanto plataformas de dados, orquestração e soluções com forte componente regulatório ou físico tendem a ser mais resilientes.
O setor de SaaS e TI está claramente em um ponto de inflexão. A velocidade com que os agentes de IA evoluem vai determinar o ritmo e a profundidade dessa transformação.
Você acha que a IA vai substituir grande parte dos empregos em programação e TI nos próximos anos? Ou vai criar mais oportunidades do que destruir? Deixe sua opinião nos comentários!
Fonte: Perplexity News (14/04/2026) – Reportagem com base em análises da UBS, Kotak Institutional Equities, Goldman Sachs e Motilal Oswal.
