O número de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia mais que triplicou desde 2020, chegando a 41,7 milhões de pessoas no final de 2024.
O Banco Central do Brasil (BC) classificou o superendividamento como “um problema crescente” no país. Em relatório sobre cidadania financeira divulgado nesta segunda-feira (13 de abril de 2026), a autarquia destacou a explosão nas concessões de empréstimos pessoais sem garantia e o aumento do comprometimento de renda das famílias com cartões de crédito.
Apesar de reconhecer os aspectos positivos da digitalização e da maior oferta de crédito, o BC alertou que a facilidade de acesso, sem oferta responsável, proteção ao consumidor e educação financeira adequada, leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar.
Explosão no crédito sem garantia
Os números apresentados pelo BC são preocupantes:
- O número de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia mais que triplicou desde 2020, chegando a 41,7 milhões de pessoas no final de 2024.
- O número de clientes com dívidas no cartão de crédito (rotativo ou parcelado) subiu 55% no mesmo período, alcançando cerca de 53 milhões de pessoas.
- O Brasil já tem mais de 220 milhões de cartões de crédito ativos — ou seja, mais cartões em circulação do que habitantes.
Mais da metade dos usuários de cartão de crédito tem dívidas no rotativo, com juros que podem ultrapassar 430% ao ano, ou no parcelado, com taxas médias em torno de 200% ao ano.
Como consequência, o comprometimento médio de renda dos usuários de cartão de crédito passou de 38,5% em 2020 para 54% em 2024. Isso significa que mais da metade da renda de muitos brasileiros já está comprometida apenas com as faturas do cartão.
Digitalização trouxe acesso, mas também riscos
O relatório do BC reconhece que a digitalização financeira ampliou o acesso ao crédito para milhões de pessoas que antes ficavam de fora do sistema. No entanto, essa expansão veio acompanhada de riscos elevados.
“A facilidade de acesso ao crédito, sem uma oferta responsável e adequada ao perfil do cliente por parte das instituições, sem uma devida proteção ao consumidor e, não menos importante, sem a devida educação financeira, leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar”, afirmou a autarquia.
O documento defende a necessidade de medidas robustas de regulação, supervisão e, principalmente, educação financeira para mitigar esses riscos.
Governo prepara novo pacote de alívio
A preocupação com o superendividamento ganha ainda mais relevância em um momento político sensível. A poucos meses do início do período eleitoral, o governo Lula prepara um novo pacote de medidas para aliviar as famílias endividadas.
O plano inclui renegociação de dívidas com desconto, com a União atuando como garantidora. Em 2023 e 2024, o programa Desenrola renegociou R$ 53 bilhões em dívidas de cerca de 15 milhões de pessoas, mas os índices de endividamento continuaram em alta.
Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde de 80,4% em março de 2026, impulsionado por juros altos e pressão sobre o custo de vida.
O que o BC recomenda
O relatório enfatiza três pilares para enfrentar o problema:
- Educação financeira – Capacitar a população para tomar decisões conscientes sobre crédito.
- Oferta responsável – Instituições devem oferecer crédito adequado ao perfil e capacidade de pagamento do cliente.
- Regulação e supervisão robustas – Medidas mais fortes para proteger o consumidor e evitar práticas abusivas.
Conclusão
O Banco Central acendeu o alerta vermelho para o superendividamento no Brasil. A explosão de empréstimos sem garantia e o alto comprometimento de renda com cartões de crédito mostram que o acesso fácil ao crédito trouxe benefícios, mas também criou uma armadilha para milhões de famílias.
Enquanto o governo prepara um novo pacote de renegociação, o desafio é equilibrar a inclusão financeira com a proteção dos consumidores. Sem educação financeira e regulação mais efetiva, o risco é que o ciclo de endividamento se perpetue.
Você está com dívidas no cartão de crédito ou empréstimos pessoais? Como tem lidado com o superendividamento? Compartilhe sua experiência nos comentários!
Fonte: InfoMoney (13/04/2026) – Reportagem da Reuters.
