O economista Nicholas Bloom, professor de Stanford e um dos maiores especialistas mundiais em mercado de trabalho, tem um conselho direto para quem está empregado em 2026: não saia do emprego atual.
Em webinar na Harvard Kennedy School e em entrevistas recentes, Bloom afirmou que o mercado de trabalho está “congelado” e que trocar de emprego ficou muito mais arriscado devido à combinação de incerteza econômica, tensões geopolíticas (especialmente a guerra no Irã) e o avanço acelerado da inteligência artificial.
Por que o mercado de trabalho está travado?
Segundo Bloom, estamos vivendo uma situação inversa à Grande Demissão de 2021-2022:
- Empresas estão demitindo pouco, mas contratando ainda menos.
- Funcionários estão “se agarrando” aos empregos, com a menor taxa de saída voluntária em anos.
- Incerteza alta (inflação, juros, guerra no Irã e IA) faz as empresas pausarem contratações para evitar custos elevados caso a demanda caia.
O resultado é um mercado praticamente parado: vagas de emprego caíram para 7,1 milhões em novembro de 2025, e em fevereiro de 2026 foram cortados 92 mil postos, bem acima do esperado.
O impacto da IA e da guerra no Irã
Bloom destaca que a inteligência artificial está sendo usada por muitas empresas como justificativa para pausar contratações ou até reduzir equipes. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, chegou a dizer que a criação de empregos está “praticamente zerada” em parte por causa da IA.
A guerra no Irã piora o quadro: o petróleo acima de US$ 100 por barril pode elevar a inflação, reduzir o ritmo de corte de juros e aumentar ainda mais a cautela das empresas.
Conselho prático de Nicholas Bloom

Para quem está insatisfeito com o emprego atual (seja por salário, gestor, localização ou qualquer outro motivo), Bloom recomenda:
“Não saia sem ter outro emprego garantido. O que antes parecia fácil — conseguir uma nova vaga — se tornou uma enorme dificuldade.”
Ele sugere ser ainda mais cauteloso neste momento:
- Evite pedir demissão sem uma proposta concreta em mãos.
- Use o tempo atual para se qualificar, fazer networking e melhorar habilidades (especialmente em IA).
- Se possível, negocie melhorias internas (aumento, home office, mudança de área) antes de sair.
O que mudou desde a Grande Demissão?
Durante a Grande Demissão, trocar de emprego era vantajoso para muitos, com salários mais altos e melhores benefícios. Hoje o jogo virou: o risco de ficar desempregado por meses é real, e as empresas estão muito mais seletivas.
Bloom, que já previu o boom do trabalho remoto antes da pandemia, agora vê o mercado em uma fase de “congelamento” que pode durar algum tempo.
Conclusão: Paciência e estratégia são as palavras-chave para 2026
Em um ano marcado por incertezas econômicas e geopolíticas, o conselho de um dos maiores especialistas em trabalho é claro: não se demita sem ter para onde ir. Foque em se valorizar na empresa atual, desenvolver habilidades demandadas (principalmente IA) e esperar um cenário mais estável para fazer movimentos maiores.
E você, está pensando em mudar de emprego em 2026 ou prefere ficar onde está por enquanto? Deixe sua opinião nos comentários!
Fonte: InfoMoney (06/04/2026) – Entrevista e webinar de Nicholas Bloom.
