08 de dezembro de 2025
O mercado financeiro brasileiro registrou uma das piores sessões em anos nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, com o Ibovespa despencando 4,31% e fechando em 157.369,36 pontos — uma retração de mais de 7.600 pontos em um único pregão. O que levou a essa derrocada? O anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato à Presidência em 2026. Dubrado de “efeito Flávio 2026” por analistas, o movimento gerou uma onda de aversão ao risco, evaporando R$ 182,7 bilhões em valor de mercado das empresas listadas na B3, que caíram de R$ 4,93 trilhões para R$ 4,74 trilhões. O dólar disparou 2,2% para R$ 5,43, enquanto ações de bancos e estatais lideraram as perdas. Neste artigo completo, baseado em dados da B3 e análises de especialistas, explora-se as causas da queda, as maiores baixas, as reações de investidores e as implicações para o cenário eleitoral e econômico de 2026. Para quem acompanha a bolsa, esse “terremoto político” sinaliza volatilidade prolongada — e lições valiosas sobre como a política molda os mercados.
O Gatilho da Queda: O Anúncio de Flávio Bolsonaro e a Reação Instantânea do Mercado
O dia começou com otimismo: o Ibovespa abriu em alta de 0,5%, tocando 165.035,97 pontos por volta das 10h, impulsionado por dados positivos de emprego nos EUA e expectativas de corte na Selic pelo Copom na quarta-feira. No entanto, o humor mudou drasticamente às 11h, quando o portal Metrópoles publicou a entrevista em que Flávio Bolsonaro confirmou sua pré-candidatura, endossada pelo pai durante visita à PF em Brasília. “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, declarou o senador, que assumiu o protagonismo no bolsonarismo após a inelegibilidade do pai até 2030.
O anúncio, visto como uma “sucessão familiar” em um partido fragmentado, gerou interpretações mistas: para apoiadores, unificação da direita; para o mercado, risco de polarização e instabilidade regulatória. Em minutos, o Ibovespa virou para negativo, acelerando a venda de ativos sensíveis a política, como bancos e estatais. O volume negociado saltou para R$ 28 bilhões — 30% acima da média —, com 38 das 85 ações do índice caindo mais de 5%. Analistas como Elos Ayta, da XP Investimentos, atribuem a “amplitude do impacto” ao fato de o movimento não se limitar a setores específicos, mas afetar a confiança geral: “A retração também atingiu companhias de setores diversos, como Axia Energia (AXIA3), que perdeu R$ 7,9 bilhões, e Rede D’Or (RDOR3), com queda de R$ 7,3 bilhões, reforçando que o movimento não se limitou a poucos segmentos”.
O dólar, sensível a narrativas políticas, fechou em R$ 5,43, alta de 2,2%, refletindo fuga para ativos seguros. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, reagiu no X: “Meu irmão Flávio erguerá a bandeira dos ideais do nosso pai”, enquanto o líder do PSB na Câmara, Pedro Campos (PSB-PE), ironizou: “Candidato mais fraco do bolsonarismo… jogaram a toalha e buscam manter o protagonismo da oposição”.
As Maiores Baixas: Bancos e Estatais Lideram Perdas de R$ 183 Bilhões

A desvalorização coletiva evaporou R$ 182,7 bilhões do valor de mercado da B3, com o setor financeiro absorvendo o maior impacto — cerca de 40% das perdas. Itaúsa (ITSA4) e Itaú Unibanco (ITUB4) foram os maiores perdedores, com queda de 4,62% e perda de R$ 19,1 bilhões, seguidos pela Petrobras (PETR4), que despencou 5,2% e evaporou R$ 17,7 bilhões. Bradesco (BBDC4) registrou -5,97% (R$ 11 bilhões perdidos), Banco do Brasil (BBAS3) -7,07% (R$ 9,2 bilhões) e BTG Pactual (BPAC11) -6,15% (R$ 7,2 bilhões).
Outros destaques negativos incluíram Axia Energia (AXIA3, -8,2%, R$ 7,9 bilhões), Rede D’Or (RDOR3, -5,4%, R$ 7,3 bilhões) e Yduqs (YDUQ3, -10,84%). Em termos percentuais, as quedas mais acentuadas foram de Yduqs (-10,84%), AZZA3 (-9,96%), Cyrela (CYRE3, -9,90%), MGLU3 (-9,79%) e Asai (ASAI3, -9,69%). Poucas ações resistiram: WEG (WEGE3, +2,64%), Suzano (SUZB3, +1,94%), Klabin (KLBN11, +1,47%) e Braskem (BRKM5, +0,77%).
A Petrobras, em meio à volatilidade, viu sua presidente Magda Chambriard comentar sobre a Braskem: “Olha só, esse é um assunto em discussão, que não está fechado, então qualquer coisa que eu diga a esse respeito não seria mais do que especulação”, destacando insatisfação com acordos acionários.
Tabela: As 10 Maiores Perdas em Valor de Mercado (5 de Dezembro de 2025)
| Empresa (Ticker) | Queda (%) | Perda (R$ Bilhões) | Fechamento (R$) |
|---|---|---|---|
| Itaú Unibanco (ITUB4) | -4,62 | 19,1 | 35,20 |
| Petrobras (PETR4) | -5,20 | 17,7 | 32,45 |
| Bradesco (BBDC4) | -5,97 | 11,0 | 13,80 |
| Banco do Brasil (BBAS3) | -7,07 | 9,2 | 23,10 |
| BTG Pactual (BPAC11) | -6,15 | 7,2 | 28,90 |
| Axia Energia (AXIA3) | -8,20 | 7,9 | 45,60 |
| Rede D’Or (RDOR3) | -5,40 | 7,3 | 26,50 |
| Vale (VALE3) | -4,80 | 6,5 | 58,20 |
| Ambev (ABEV3) | -5,10 | 5,8 | 11,90 |
| Suzano (SUZB3) | +1,94 | – (ganho) | 52,30 |
Fonte: B3 e InfoMoney (5/12/2025).
Por Que o “Efeito Flávio 2026” Abalou os Investidores?
O anúncio de Flávio como pré-candidato gerou interpretações de risco político: para o mercado, representa continuidade do bolsonarismo “radical”, com potenciais reformas tributárias e interferências em estatais que afetam setores como bancos e energia. A aversão ao risco acelerou vendas, com estrangeiros retirando R$ 2,5 bilhões em ações na sessão — o maior outflow desde as eleições de 2022. Analistas da XP Investimentos notam que o movimento “não se limitou a poucos segmentos”, atingindo varejo (MGLU3 -9,79%) e educação (YDUQ3 -10,84%), refletindo preocupações com consumo e regulação sob um governo de direita mais assertivo.
O dólar em R$ 5,43 reforça temores de instabilidade cambial, com importadores como Petrobras e Vale sentindo o impacto imediato. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, reagiu no X: “Meu irmão erguerá a bandeira dos ideais do nosso pai”, enquanto o líder do PSB, Pedro Campos, ironizou: “Candidato mais fraco do bolsonarismo… jogaram a toalha”. Magda Chambriard, da Petrobras, comentou sobre a Braskem: “É um assunto em discussão… qualquer coisa que eu diga seria especulação”, destacando incertezas em acordos acionários.
Implicações para o Mercado: Volatilidade Eleitoral e Oportunidades de Recuperação
Essa queda de 4,31% — a maior desde fevereiro de 2021 — sinaliza volatilidade prolongada até 2026, com eleições presidenciais polarizando investimentos. O setor bancário, que representa 30% do Ibovespa, pode pressionar o índice abaixo de 150.000 pontos se o “efeito Flávio” persistir, enquanto ações defensivas como WEG (+2,64%) oferecem refúgio. O Copom pode cortar a Selic para 10,25% na quarta-feira, aliviando, mas analistas preveem Ibovespa em 160.000 pontos até junho de 2026, condicionado a estabilidade política.
Para investidores, lições: diversifique além de bancos/estatais e monitore narrativas eleitorais — o anúncio de Flávio evaporou R$ 183 bilhões em um dia, mas recuperações pós-eleições (como 2022) podem render 15-20%.
Conclusão: “Efeito Flávio 2026” — Um Terremoto Político que Abalou a Bolsa
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro causou uma perda de R$ 183 bilhões na B3 em 5 de dezembro de 2025, com bancos e estatais liderando as baixas em um dia de pânico generalizado. Embora o anúncio unifique a direita, ele expõe a fragilidade do mercado a choques políticos. Investidores atentos: foque em diversificação e espere o Copom. O que você acha do impacto? Comente abaixo.
Fontes: InfoMoney (5/12/2025), B3, XP Investimentos.
